Arte na Ásia Menor: a Anatólia espera pelo seu Max Uhle
DOI:
https://doi.org/10.56487/5ganv691Palavras-chave:
Ásia Menor — Anatólia — Arte — Geografia — HistóriaResumo
Este artigo se refere à Ásia Menor, região que, em termos geográficos e culturais, equivale aproximadamente ao território coberto pela Península da Anatólia. Durante a Antiguidade e a Idade Média, ela foi uma ponte cultural das mais importantes para os povos do centro-leste europeu e do Oriente Próximo em geral. Ligando a Ásia à Europa, ela propiciou o trânsito de mão dupla de populações, de ideias, de utensílios dos mais diversos tipos (e. g., a roda), bem como de obras da literatura e da arte. Ofuscados pela proximidade geográfica e cronológica tanto dos mesopotâmios e egípcios, que os antecederam, quanto dos gregos, que os sucederam, os povos da Anatólia antiga foram relegados ao segundo plano da história.
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Referências
Hititas, minoanos, fenícios, gregos: todos eles, em maior ou menor escala e cada um à sua maneira, são herdeiros culturais dos mesopotâmios e dos egípcios. Cf. Fernand Robert, La littérature grecque (Paris: Presses Universitaires de France, 1949), 8 passim.
C. W. Ceram, O segredo dos Hititas (Belo Horizonte: Editora Itatiaia, 1959), 279.
Referindo-se ao período traumático de 1200 a.C., que tantas modificações drásticas impôs ao mundo antigo, Homero assinalava que o comércio exterior era realizado quase exclusivamente por fenícios; aliás, tanto Homero quanto Heródoto falavam da "Fenícia" como uma região que se estende da fronteira cilício-síria ao Egito. Cf. Elena Cassin et al., Los imperios del Antiguo Oriente. II: El fin del segundo milenio, 5.ª ed. (México/Buenos Aires/Madrid: Siglo Veintiuno Editores, 1974), 261-262.
Henri Frankfort, The art and architecture of the Ancient Orient, 4.ª ed. (New Haven/Londres: Yale University Press, 1970), 207.
Pouco sabemos sobre as línguas indígenas da Anatólia, chamadas "anatólias" ou "asiânicas", faladas na Ásia Menor até os primeiros séculos da era cristã, quando o grego as suplantou. O assunto é muito complexo, e as fontes para o seu conhecimento são de origem grega, indireta por tanto.
Referidos na Bíblia inicialmente como "os filhos de Het" (ou de Hete), os hititas (ou heteus) habitavam parte do que hoje é Israel no tempo de Abraão (c. 2000 a.C.), que comprou deles uma caverna em Hebron, para sepultar sua esposa Sara. Cf. Gn 23:3 e segs. Sua relação com os israelitas é fortíssima. Basta lembrar que o cananeu Israel, fundador da nação que leva seu nome, único Estado antigo que se tornou suficientemente unido e forte naquela região, era filho de um amorita e de uma hitita. Cf. Ez 16:3.
Quanto à influência da arquitetura hitita sobre a de Micenas, no Peloponeso. Cf. Franz Baumgart, DuMont's Kleine Kunstgeschichte (Colônia: DuMont Buchverlag, 1979), 27.
André Lemaire, Le monde de la Bible (Paris: Gallimard, 1998), 45.
John Albert Wilson, La cultura egipcia, trad. por Florentino M. Torner, 11.ª ed. (México: Fondo de Cultura Económica, 1992), 350.
Stuart Piggott, A Europa antiga. Do início da agricultura à Antiguidade clássica, trad. por Maria Reveriana Mantas (Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1981), 199. "Quando os hititas começam a escrever, sob Hattusili I (século XVII a.C.), adotaram um tipo de escrita que, muito provavelmente, vinha da Síria; tal foi o modelo que seguiram os hurritas. Os hititas não puderam, pois, basear-se numa escritura já existente na Anatólia, eventualmente herdada dos assírios". Cf. Elena Cassin et alii, Los imperios del Antiguo Oriente. II: El fin del segundo milenio, 155.
Possivelmente, a invasão dos povos do mar de que falam os textos egípcios não foi um fenômeno único e nem simultâneo. É mais provável que tenha sido uma série de destruições ocorridas ao longo de muitos anos e que, de fato, a guerra de Troia pertença a esse contexto. Cf. Maria Helena da Rocha Pereira, Estudos de história da cultura clássica: Cultura grega (Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1987), 60.
Elena Cassin et al., Los imperios del Antiguo Oriente, 106.
Diferentemente do ocorrido no Egito e na Mesopotâmia, onde a cultura adquiriu um caráter mais fechado, a Ásia Menor e o mundo egeu marcaram-se pela chegada frequente de imigrantes.
Will Durant, História da civilização, 2.ª parte, Nossa herança clássica: A vida na Grécia (São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1943), t. I, 92.
Ibid.
Cf. Summa Artis. Historia general del arte, vol. II, Arte del Asia Occidental: Sumeria, Babilonia, Asiria, Hititia, Fenicia, Persia, Partia, Sasania, Escitia (Madrid: Espasa-Calpe, 1970), 188 passim.
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